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Obelisco egípcio

Atualizado: 12 de fev.


Obelisco egípcio - História em Destaque

O único obelisco egípcio que ainda permanece em sua posição original, no local de um antigo templo em Heliópolis. World History Encyclopedia. (Domínio público).


O obelisco é um pilar monolítico cônico, inicialmente erguido em pares nas entradas de antigos templos egípcios. Os egípcios ergueram templos e monumentos em escala única na antiguidade, mas nada disso seria possível se eles não tivessem dominado a técnica necessária para extrair pedras das pedreiras em grande quantidade. Muito do que sabemos sobre os egípcios vem de registros gravados por eles em pedra.



Os obeliscos egípcios foram esculpidos em uma única pedra, geralmente granito vermelho, das pedreiras de Assuã. Seu topo piramidal era geralmente coberto com uma liga de ouro ou prata chamada electrum. Todos os quatro lados do obelisco egípcio são ornamentados com hieróglifos que incluem dedicatórias religiosas, principalmente ao deus sol, e comemorações em homenagem aos governantes.



A forma do obelisco foi criada pelos egípcios no início do período dinástico (c. 3150 – 2613 a.C.), antes mesmo da construção da pirâmide de degraus de Djoser. Alguns pesquisadores acreditam que os primeiros obeliscos serviram como treinamento para que os construtores desenvolvessem a habilidade de trabalhar com pedra em projetos monumentais, como as pirâmides.


Obelisco é um nome grego (obeliskos), escrito pela primeira vez pelo escritor Heródoto. Os egípcios antigos os chamavam de tekhenu, que significa “perfurar”, como em “perfurar o céu”. Embora seja de amplo conhecimento de que os obeliscos foram erguidos já na Dinastia IV (c. 2575 – 2465 a.C.), nenhum deles sobreviveu. Eles são conhecidos apenas por meio de inscrições antigas. Os obeliscos que aparecem em templos da Dinastia V eram menores, cerca de 3 metros de altura, mas ao longo do tempo eles atingiram alturas de mais de 30 metros. Ao redor do mundo, várias culturas empregaram a forma do obelisco, mas apenas os antigos egípcios trabalhavam em pedras monolíticas.



Simbolismo

No Antigo Egito, o obelisco representava o benben, que era o monte primordial sobre o qual o deus Atum estava no momento da criação do mundo. Como tal, eles foram associados ao pássaro benu, o precursor egípcio da fênix grega. Apesar de manter sua associação com o pássaro benu, o obelisco passou a ser cada vez mais associado ao deus Rá e à adoração do sol. No Antigo Egito, os obeliscos sempre foram criados em pares conforme o valor egípcio de equilíbrio e harmonia, e para homenagear os feitos de um grande rei ou rainha. Os egípcios acreditavam que os deuses viviam em seu templo, sendo assim, no período do Império Novo, eles confiavam que o obelisco também era habitado pelo espírito do deus.



Durante o reinado do faraó Tutmés III (1458 – 1425 a.C.) foi criado – por ordem do rei – o ritual de cerimônia de oferenda aos obeliscos, e essa prática continuou durante o período ptolomaico (323 – 30 a.C.). A maioria dos obeliscos egípcios foi erguida durante o Novo Império. O mais antigo deles sobrevivente data do reinado de Sesóstris I (1918 – 1875 a.C.), localizado em Heliópolis, no Cairo, local de um antigo templo do deus Rá.



Construção e colocação

O chamado “obelisco inacabado” é o maior já criado e nunca foi erguido. Ele permanece onde foi abandonado – na pedreira de Assuã, no alto Egito, local que era frequentemente usado para extrair blocos de pedra para as grandes construções no Antigo Egito. Pesquisadores acreditam que o obelisco inacabado seria usado em Karnak, onde Hatshepsut já havia erguido um monumento conhecido hoje como o Obelisco de Latrão, que no século IV foi transferido para Roma por Constâncio II. O obelisco inacabado mede 42 metros de altura e pesa cerca de 1.200 toneladas; foi abandonado após a descoberta de rachaduras. O seu abandono foi importante para os pesquisadores atuais, pois o monumento fornece informações de como eram extraídos os grandes blocos de pedra.


Obelisco inacabado em Assuâ - História em Destaque

Obelisco inacabado em Assuâ. Imagem de Min. do Turismo e Antiguidades do Egito.


Em Karnak, um dos obeliscos erguidos por Tutmés I (c. 1493 – 1482) mede 24 metros de altura e pesa 143 toneladas. Outro obelisco também em Karnak, o de Hatshepsut, mede 30 metros de altura e contém uma inscrição indicando que ele levou cerca de sete meses para ser cortado e retirado da pedreira. No Templo de Hatshepsut, há várias cenas do transporte do obelisco por meio de barcaças através do rio Nilo.



Por meio de inscrições e desenhos, os pesquisadores conseguem saber como era a extração e o transporte do obelisco, mas não conseguiram até o momento saber como eles eram erguidos. Todas as tentativas modernas de replicar o processo para erguer um obelisco falharam, incluindo a técnica do buraco de areia em forma de funil; o ângulo do obelisco parou em 40 graus e os trabalhadores com suas cordas não conseguiram encontrar uma maneira de aumentá-lo ainda mais.


Obeliscos e templos

Os obeliscos eram posicionados nos pátios dos templos em homenagem ao deus principal, bem como o deus sol, que navegava no céu. Vários obeliscos foram removidos das suas posições originais por nações estrangeiras ou oferecidos como presentes a outros países. O único que permanece em sua posição original é o de Senusret I, no local de um antigo templo dedicado ao deus sol em Heliópolis.



Ramsés II, o Grande (1279 – 1213 a.C.), foi o faraó que mais encomendou obeliscos para seus templos e estimulou a prática contínua de apresentar oferendas a eles. Sob o comando de Ramsés, os obeliscos foram posicionados no Templo de Amon em Tebas, em Heliópolis, no Baixo Egito, e na cidade de Per-Ramsés. Para a construção de Tanis, muitos desses obeliscos foram destruídos por ordem de Smendes (1077 – 1051 a.C.) depois que o Nilo mudou seu curso e deixou a antiga cidade sem abastecimento de água.


Obelisco chamado de "Agulha de Cleópatra" - História em Destaque

Obelisco chamado de "Agulha de Cleópatra" em Alexandria, Egito, por volta de 1880. Mais tarde, foi transferida para o Central Park, em Nova York.


No século XIX, o governo egípcio doou dois obeliscos: um aos EUA, localizado atualmente no Central Park; e outro à Grã-Bretanha, especificamente em Londres. Embora sejam conhecidas como “Agulhas de Cleópatra”, elas não têm conexão histórica alguma com a rainha egípcia. Os dois obeliscos foram erguidos por Tutmés III e trazem inscrições em sua homenagem e de Ramsés II.



Bibliografia

Britannica, The Editors of Encyclopaedia. "obelisk". Encyclopedia Britannica, 30 de agosto de 2024, https://www.britannica.com/technology/obelisk. Acesso, 3 de janeiro de 2025.


Bunson, M. The Encyclopedia of Ancient Egypt. Gramercy Books, 1991.

 

David, R. Handbook to Life in Ancient Egypt Revised. Oxford University Press, 2007.

 

Mark, Joshua J. "Egyptian Obelisk." World History Encyclopedia. World History Encyclopedia, 06 de novembro de 2016. Web. 19 de abril de 2021.

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