O Massacre Místico de 1637
- Redação História em Destaque
- 20 de jan.
- 3 min de leitura
Atualizado: 12 de fev.

Gravura mostrando o Massacre Místico de 1637 , ilustração em Nevves from America por John Underhill, Impresso por JD para Peter Cole, Londres, 1638. Biblioteca do Congresso, Washington DC.
O Massacre Místico de 1637 (também conhecido como Massacre do Pequot) foi o evento central da Guerra do Pequot (1636-1638) na Nova Inglaterra, travada entre os ingleses (com seus aliados nativos americanos, as tribos Mohegan e Narragansett) e a tribo Pequot da moderna Connecticut.
Os ingleses foram os responsáveis por iniciar o conflito, quando acusaram os Pequots e seu aliado Niantics de assassinar comerciantes ingleses. Embora os governadores, Sir Henry Vane e John Winthrop tenham aceitado as explicações do chefe Pequot Sassacus sobre os assassinatos, Vane enviou John Endicott para cobrar mais explicações dos Pequots em agosto de 1636.
As exigências de Endicott incluíam uma quantidade maior de wampum, mais crianças Pequot para serem mantidas como reféns para garantir a obediência e a apresentação dos responsáveis pelos assassinatos. Os nativos não aceitaram as exigências dos ingleses. Em represália, Endicott queimou as aldeias Niantic em Block Island, uma Pequot no rio Cannecticut, matando várias pessoas. Os Pequots retaliaram com ataques aos assentamentos ingleses durante o outono de 1636.
Em maio de 1637, foi decidido que os Pequots seriam exterminados e as milícias foram formadas sob o comando dos capitães John Underhill da Baía de Massachusetts, John Mason da Colônia de Connecticut e voluntários fornecidos pelo governador William Bradford da Colônia de Plymouth. Eles foram levados ao local do forte Pequot pelos Mohegans e Narragansetts. No início da manhã de 26 de maio de 1637, os ingleses chegaram ao local e incendiaram o forte, matando quase todos dos Pequots encontrados lá. Estima-se que cerca de 800 nativos morreram queimados e outros baleados enquanto fugiam das chamas. Alguns pesquisadores acreditam que esse número é ainda mais alto. Os ingleses aproveitaram que os guerreiros estavam com o chefe Sassacus longe do forte na época, a maioria dos Pequots mortos eram em sua maioria mulheres e crianças.
Quando o chefe Sassacus foi avisado do massacre, contra-atacou os colonos, mas o número de nativos não era suficiente para vencer o combate. Sassacus e os sobreviventes fugiram para a Nova Holanda (atual Nova York) para busca o apoio da Confederação Iroquois, mas foi executado pelos Mohawks, que enviaram sua cabeça e mãos para os ingleses. Dos 3.000 Pequots viventes em Connecticut antes do massacre, apenas 200 sobreviveram. Esses sobreviventes foram então vendidos como escravos ou incluídos em outras tribos e suas terras divididas entre os vencedores conforme o Tratado de Hartford de setembro de 1638.
O Massacre Místico é considerado um evento decisivo, não só na formação da política colonial dos Estados Unidos em relação aos nativos americanos, mas também na história da Nova Inglaterra. Os colonos encorajavam massacres com uma visão dos nativos com selvagens indignos de confiança e sanguinários que precisavam ser reformados por meio da conversão ao cristianismo e afastá-los do contato com os colonos ingleses e depois americanos. Esse tipo de política continuaria até o século XX.
O massacre Místico não foi nada mais do que a solução inglesa para desarticular o lucrativo acordo comercial Pequot-Holandês e ter acesso às terras Pequot. Underhill e Mason relataram que havia poucos guerreiros no forte e a grande maioria eram mulheres e crianças, que fugiram ou tentaram se esconder ao invés de lutar. Mesmo assim, o Massacre Místico foi saudado como uma grande vitória e foi declarado um dia de ação de graças em homenagem aos bravos soldados que participaram. As baixas dos ingleses foram de dois mortos e 26 feridos, em contraste com os mais de 700 Pequots mortos. Os indígenas americanos da atualidade protestam contra o feriado do Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos.
Bibliografia
Warren, JA God, War, and Providence: The Epic Struggle of Roger Williams and the Narragansett Indians Against the Puritans of New England. Scribner, 2018.
Wilson, J. The Earth Shall Weep: A History of Native America. Grove Press, 2000.
Dunbar-Ortiz, R. Uma História dos Povos Indígenas dos Estados Unidos. Beacon Press, 2015.